
Na década de 90 uma comédia tornou-se muito popular, entre adultos e crianças; com o título de Esqueceram de Mim, traz as desventuras de um menino que é esquecido pela família, em casa, no dia de saírem em viagem de férias. A história rendeu ainda mais dois filmes, sempre com muitas aventuras e superação.
Pois hoje, podemos trazer esta situação para o cotidiano dos idosos, que muitas vezes são esquecidos por familiares em situações nem tão divertidas assim. Um esquecimento que pode configurar muito além de um abandono afetivo, esquecimento que mascara descomprometimento, excesso de tarefas, situações cotidianas que não permitem visita, ligação telefônica, mensagem, atenção.

Fabrício Carpinejar escreveu sobre esse assunto que aparentemente parece banal e desnecessário, mas sempre pertinente. Esse cronista alerta que a visita não precisa ser de uma tarde ou dia inteiro, uma passadinha, uma ligação breve, alguma escuta pontual, o interesse genuíno, que demonstra preocupação de cuidado.
Pensando na pessoa idosa, que não deveria jamais sofrer de negligência afetiva é que nos preocupamos com as mortes por abandono, por descaso ou por respeito ao isolamento autoimposto do próprio idoso(a). Lembrando casos recentes de idosos encontrados mortos após alguns dias em suas casas, não apenas com pessoas famosas, mas algumas vezes, bem mais próximos do que pensamos.

A distância entre respeito à opção de solitude e solidão por abandono, é muito pequena, na realidade sempre fica a dúvida até que ponto o desejo de isolamento deve ser respeitado. No primeiro filme Esqueceram de Mim, inclusive tem um personagem idoso que mora sozinho, abandonado pelo filho e que evoca algumas suspeitas sobre seu comportamento, mas que ao final se torna um aliado do menino esquecido em casa.
Não apontando apenas falhas na atenção dos familiares, lançamos um olhar sobre a sociedade e não menos importante o Estado, como co-responsável na atenção aos cuidados com a pessoa idosa, cuidados estes que implicam na qualidade de vida e saúde mental, além do direito à moradia, alimentação e dignidade.
A Sociedade de forma geral, tem responsabilidade na luta contra o esquecimento de vizinhos, moradores de edifícios, casas ou locais mais isolados. Alerto aqui a possibilidade de encontros, de uma passadinha para levar uma guloseima, convidar para um passeio, nas imediações da habitação, formar grupos de convivência, eventos, com o pretexto de manter essa pessoa idosa sendo lembrada, ouvida e percebida.
No caso do Estado, a visita domiciliar de profissionais da saúde lotados em UBS (Unidade Básica de Saúde), formação de grupos de apoio e terapêuticos, privilegiando fóruns com partilha de conhecimentos, passeios, atividades culturais em grupo, todas possibilidades relativamente funcionais e de baixo custo.
Ações que nos direcionem a uma sociedade que irá tratar de forma justa e saudável a população esquecida em suas casas ou Lares de Longa Permanência, sentados em frente aos aparelhos de televisão, apenas observando o mundo acontecendo lá fora, estagnados, quem sabe até contando os dias que lhes falta para passarem “desta para melhor”!
Aos pais, mães, avós e pessoas idosas em geral, alertamos; sejam gratos pela atenção, sejam cordiais, procurem não ser queixosos, inquisidores, irônicos, com frases do tipo: “finalmente lembrou de mim!”; “Estou sofrendo muito”, “Onde vocês andam que não lembram de mim?”… Pois por maior que seja o carinho, ninguém gosta de visitar e conversar com pessoas rabugentas e lamuriosas.

Muito bom, Grace !
Gratidão por compartilhar.